Ela era a rapariga que não se queria perder. Contava cada palavra e cada gesto com se fossem números por calcular. Aprendeu a viver na sombra e esqueceu-se do que a distinguia: o saber viver. viver o amor. Era ele. Ele que a incentivava a passar por entre o nevoeiro. Ele que a estimulava a estar sempre alerta. Era ele, mesmo sem saber. O imprevísivel, o abominável, o desejado, o cancro da vida e o paraíso entre linhas. Ela que não sabia estar sem o carinho no coração ou o rasto na pele. Assustada pela ilusão. Pela frustração. Pela ignorância. Cheia de nódoas negras. Deixou de se deixar levar, trazia-lhe desconforto. Medo do dia seguinte. Não gostava de se arrepender e preferia calcular. Ás vezes não sabia dizer que não. Era a louca apaixonada com a esperança num pé e a aflição noutro. Deixou de reconhecer o amor quando esvaziava a alma. No fundo, foi vestindo peça sobre peça para não lhe ver as feridas que causa. A permanecer num estado de apatia e de sonhos. Nunca foi aquilo que ela imaginou. O sonho sobre um sonho, vivido numa só realidade.
16 junho, 2013
07 maio, 2013
11 março, 2013
17 fevereiro, 2013
mantenho o coração quente enquanto posso. Enquanto não me lembro do quarto escuro que ainda atravesso no corredor. Mantenho-me distante de mim mesma e chegada ás coisas boas da vida. Aquelas que vivo sem ti. Aquelas que me mantêm num patamar nem muito perto, nem muito longe. Flutuo enquanto penso. Enquanto tento não pensar. Há dias reservados para mim e esses dias são o hoje e o amanhã.
31 janeiro, 2013
28 janeiro, 2013
"quando nos apaixonamos, ou estamos prestes a apaixonar-nos, qualquer coisinha que essa pessoa faz – se nos toca na mão ou diz que foi bom ver-nos, sem nós sabermos sequer se é verdade ou se quer dizer alguma coisa — ela levanta-nos pela alma e põe-nos a cabeça a voar, tonta de tão feliz e feliz de tão tonta. E, logo no momento seguinte, larga-nos a mão, vira a cara e espezinha-nos o coração, matando a vida e o mundo e o mundo e a vida que tínhamos imaginado para os dois. Lembro-me, quando comecei a apaixonar-me pela Maria João, da exaltação e do desespero que traziam essas importantíssimas banalidades. Lembro-me porque ainda agora as senti. Não faz sentido dizer que estou apaixonado por ela há quinze anos. Ou ontem. Ainda estou a apaixonar-me.
Gosto mais de estar com ela a fazer as coisas mais chatas do mundo do que estar sozinho ou com qualquer outra pessoa a fazer as coisas mais divertidas. As coisas continuam a ser chatas mas é estar com ela que é divertido. Não importa onde se está ou o que se está a fazer. O que importa é estar com ela. O amor nunca fica resolvido nem se alcança. Cada pormenor é dramático. De cada um tudo depende. Não é qualquer gesto que pode ser romântico ou trágico. Todos os gestos são. Sempre. É esse o medo. É essa a novidade. É assim o amor. Nunca podemos contar com ele. É por isso que nos apaixonamos por quem nos apaixonamos. Porque é uma grande, bendita distracção vivermos assim. Com tanta sorte."
Gosto mais de estar com ela a fazer as coisas mais chatas do mundo do que estar sozinho ou com qualquer outra pessoa a fazer as coisas mais divertidas. As coisas continuam a ser chatas mas é estar com ela que é divertido. Não importa onde se está ou o que se está a fazer. O que importa é estar com ela. O amor nunca fica resolvido nem se alcança. Cada pormenor é dramático. De cada um tudo depende. Não é qualquer gesto que pode ser romântico ou trágico. Todos os gestos são. Sempre. É esse o medo. É essa a novidade. É assim o amor. Nunca podemos contar com ele. É por isso que nos apaixonamos por quem nos apaixonamos. Porque é uma grande, bendita distracção vivermos assim. Com tanta sorte."
25 janeiro, 2013
Não queres perder tempo a ser feliz. Não queres correr por aquilo que ainda não sabes se queres, que ainda não sabes se te será útil, se um dia, será teu. Não queres porque tens medo do cansaço. Medo da respiração ofegante de correr tanto numa estrada vazia. Imaginas a felicidade no ponto de chegada, com uma placa de bem-vindo. Mas nunca a vês. A cada pisada mais á frente, mais longe pareces ver. E continuas a ter medo. Tanto medo que te começam a tremer as pernas e abrandaste o ritmo da corrida. Não queres o desespero, não queres a morte que se desfaz na luz que caminha ao teu lado. Mas que também não vês. Não queres perder tempo a ser feliz, a agarrar a noite que cai e o tempo que te resta. São hesitações que se agarraram, frustrações que não quebram, passividade que passeia. Não lutas. Não gostas de lutar. Sentes que és mais um, no meio de um todo. Que a tua felicidade existe, mas que não és dono dela. Que te perdes pelo caminho. Enfias-te num canto para que ninguém te veja. Não há lugar para dúvidas ou mudanças radicais. Mas todos nós temos uma voz que nos diz: Aproveita o teu tempo. Acabas por sair da tua concha e aprendes a rir um pouco mais. Mas só enquanto te lembras. Enquanto alguém não te mata o espirito. Enquanto te sabe bem e não se torna desconfortável, frio, distante. Mas aproveita o teu tempo. Não racionalizes tudo como se a vida estivesse sempre dentro do teu cofre, intacta para ti, resistente ao tempo e utilizável quando queres. Acorda. Perde tempo a ser feliz que é tempo bem perdido.
01 janeiro, 2013
E o sol ainda se move e a chuva ainda corre. Os ventos talvez se mudem, nem que seja sem darmos por isso. E o corpo tem calafrios e o coração tem pedaços que ainda se montam como um puzzle. Atravessámos a ponte que se fechou á chave no som das ultimas pegadas. Aqui estamos nós. A percorrer o mundo mesmo que fiquemos no sofá. Mesmo que o pijama guarde raízes de semana á semana. Mas aconselho-te a encher os pulmões com o ar fresco das sete da manhã. A sentires o frio a errogar-te a pele e os beijinhos inesperados debaixo do tapete da porta. Sei que não é fácil. Sei que te perdes pelo caminho porque o caminho tem rasteiras. E sei ainda que somos de momentos. Mas guarda-os a todos como se fossem a ultima coisa que te diz para onde vais. Não te importes. Aproveita-te.
Feliz 2013
Feliz 2013
28 dezembro, 2012
23 dezembro, 2012
13 dezembro, 2012
08 dezembro, 2012
30 novembro, 2012
Parece que passámos a viver num mundo de silêncio em que ninguém nos perturba. Em que tomas conta de mim sem pensar dar um passo atrás. Tudo tão calmo. Tudo tão fora de ti que ás vezes ainda me pergunto se me hei-de beliscar. Tudo tão cheio de coisas e coisinhas que finalmente te chegaram ao coração. É tudo tão assim. De sorrisos no ombro,de paciência nos gestos e de felicidade arrebatadora. Não sei porque parámos no tempo. Porque nos abandonámos na estrada quando ainda tínhamos um pôr-do-sol para ver. Isto é o amor reformulado,num patamar que me torna rainha do mundo. Rainha da minha própria vida. É o sangue a ferver e o coração com os seus dois lados. A ânsia e a calma. Os poros que transpiram saudade quando te deixo à porta ao fim da tarde. adoro-te,só porque a beleza da vida começa a condizer connosco e a esperança está em todos os passeios da cidade.
21 novembro, 2012
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