Parece que passámos a viver num mundo de silêncio em que ninguém nos perturba. Em que tomas conta de mim sem pensar dar um passo atrás. Tudo tão calmo. Tudo tão fora de ti que ás vezes ainda me pergunto se me hei-de beliscar. Tudo tão cheio de coisas e coisinhas que finalmente te chegaram ao coração. É tudo tão assim. De sorrisos no ombro,de paciência nos gestos e de felicidade arrebatadora. Não sei porque parámos no tempo. Porque nos abandonámos na estrada quando ainda tínhamos um pôr-do-sol para ver. Isto é o amor reformulado,num patamar que me torna rainha do mundo. Rainha da minha própria vida. É o sangue a ferver e o coração com os seus dois lados. A ânsia e a calma. Os poros que transpiram saudade quando te deixo à porta ao fim da tarde. adoro-te,só porque a beleza da vida começa a condizer connosco e a esperança está em todos os passeios da cidade.
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30 novembro, 2012
11 julho, 2012
Um viva a todas aquelas pessoas que lutam pela vida. Que a trazem ao bolso dentro e fora de casa. Que abrem as janelas e deixam entrar tudo o que de bom acontece lá fora. Um viva a essas pessoas que são a nossa inspiração hoje e sempre. Que nos fazem sorrir por termos posto os pés na rua naquele dia. Nada é assim tão grave,nada é assim tão permanente. Um viva a elas por ainda sentirem as pernas a queimar. Por ainda amarem o pôr do sol. Por ainda saberem o regresso a casa e por ainda olharem a volta quando se vão deitar. Um viva a elas e a todos nós que crescemos com os seus passos calmos. Passos de esperança que nunca se desvanecem. Um viva a elas por ainda existirem. Um viva!
29 janeiro, 2012
Ir para longe,onde ainda não nos conseguem tocar. onde ainda não somos o espelho de ninguém,onde ainda só sabemos ficar,sem formular. saber crescer mesmo que não se saiba como. era tão bom que houvesse destas folgas muito mais vezes por ano e que nos pudéssemos habituar a elas. a verdade é que o estar alto de mais,é bom só na medida certa. E que dificuldade que é achá-la. tem-se saudades de descer,tem-se saudades das conversas habituais mesmo que sejam um veneno para o coração. É tão nosso que até nas alturas ouvimos a rotina. Gosto de empurrar as pessoas para as nuvens. gosto de vê-las lá em cima e a darem-me respostas em silêncio,a não ser nada de mais,a deixarem-se estar com música nos ouvidos. Gosto que façam pausas. do mundo,de mim. gosto e gostava que me empurrassem a mim. gostava tanto. que me dissessem "vai e volta quando o som cá de baixo não te furar os ouvidos". terei que ser eu a fazê-lo por mim,no momento mais que certo. No momento em que saberei que é por várias noites. que não desisto. Até gostava de levar alguém comigo. alguém que também precisa de descansar,que também precisa de ouvir bem as músicas que eu tenho aqui no bolso que só resultam no silêncio. Haveriam paredes,claro que haveriam. mas muito fininhas,de modo a podermos sorrir de vez em quando para dar um pouco de mais força,mais altitude. querem vir comigo um dia destes?
21 janeiro, 2012
Os dias de sol fazem bem a alma,fazem bem ao coração. E o coração quando tem sol a mais,partilha ainda mais. Partilha partilha e respira tudo o que é de bom. Só tem que aprender a conviver com o bom muito mais tempo,sem se cansar dele. para que é que serve um pedaço de amor se não for recheado com o que o enche? a areia a mais só o disfarça,só lhe confunde a vista. Por isso,duas mãos a partilhar faz o sol brilhar mais um bocadinho. não parem,não parem que a luz do dia ainda demora a passar. hoje,amanhã e até vocês sentirem. sentem este cheiro?pois é,o cheiro de sair para a rua. ganhem asas e ofereçam-nas a alguém. quem souber cuidar delas
12 janeiro, 2012
tenham fé. tenham sempre fé que isso só nos ajuda. fé em nós próprios. fé que as coisas passem. por isso,relaxem. relaxem devagarinho,um dia de cada vez,ao deitar e ao acordar. relaxem no pensamento,relaxem enquanto falam,relaxem nas respirações. e depois,juntem a esperança. fica tudo mais bonito,com cor. como se estivéssemos ao mesmo tempo que tudo e que tudo nos dá a mão. Nós não somos mais um. nós somos nós e sempre,mas sempre,a fazer a diferença. nem que seja para decorar a paisagem.
08 janeiro, 2012
05 janeiro, 2012
gostava de ouvir mais vezes os pássaros a cantar e que eles me soubessem traçar o caminho,numa folha de papel. ser tão simples como isso. que as árvores nascessem outra vez a cada sorriso de felicidade. Gostava que quando olhasse ao espelho,me visse a mim e a outra. a outra que está sempre lá,que segura,que não deixa nada cair por muito tempo. essa outra que nos diz tanto. essa outra que se esconde quase todo o ano mas que aparece quando o coração se transforma numa bola de lã e dá gritos que ninguém ouve. Numa mão seguro as certezas,na outra as incertezas. ohh,e como me apetecia tanto baralhá-las ás duas para que ficasse um misto de consciente e inconsciente. que ás vezes,só as vezes,sabe tão bem. não ter a necessidade de categorizar nada que é logo o primeiro instinto deste meu pequeno mundo. grande e pequeno mundo. Ouvi dizer um dia,quando ainda sabia brincar com as poças de chuva e com as sombras no chão,que o espaço que nos envolve é maior do que pensamos. que só faz sentido haver um pôr do sol e um mar dourado,se houverem olhos que sabem olhar e corpos que sabem ficar. só assim o mundo é grande,grande e cheio de luz. saber ficar,sempre soube. saber olhar,apenas pela metade. secalhar as noites frescas mereciam mais de mim,um pouco mais. Ou secalhar o meu mundo precise mais de mim,devagarinho devagarinho. secalhar é a outra que precisa mais de mim,agora. precisa de saber onde é o lugar dela neste momento,se lá ou cá. Eu pedia-lhe para agarrar na minha mão das incertezas e escondê-las no bolso. num bolso com fecho. muito apertadinhas para não as conseguir ouvir. É isso,elas têm mais voz. e eu que tenho a queda para o que não faz falta. Só precisava de saber que o céu é azul,que o sol consegue entrar pela janela da minha casa,que a lua é a melhor companhia para adormecer e que o meu lugar é onde me consigo encontrar,nem que por pequeninos momentos. Todos nós temos o nosso lugar,mesmo que só nos tenhamos cruzado com ele uma vez,por dez minutos. é onde nos sentimos seguros,com vontade de olhar em frente. Onde conseguimos respirar sem nada a prender,como uma corda a ser puxada de cada lado.é como digo,o lugar onde sabemos que o espaço que nos envolve é maior do que pensamos e que até foi feito para nós. Onde nem tudo é demasiado importante,mas nós somos. somos a peça da paisagem que ás vezes se sente nua,tal como nós. oh sol,não te escondas. hoje tomei coragem e vim até aqui,ao lugar dos desabafos. ofusca primeiro as palavras que pairam aqui,ao pé de mim e de ti. não preciso delas,nunca precisei. dá-me só mais disto,que é tão calmo. dá-me mais vida,para eu gostar mais do hoje do que do amanhã.
12 novembro, 2011
09 novembro, 2011
eu e eu
esteve um dia tão feio lá fora e eu só pensava no bom que é ainda ter o quente cá de dentro. aquele que só se vai se o deixarmos ir,que só se cansa se o deixarmos de ouvir. vesti um casaco meu que já tem uns 2,3 anos e sai à rua. peguei no guarda chuva e sentei-me dentro do café da rua principal para beber um chá e um scone. gosto mesmo de cafés com janelas grandes,que nos envolvem pela paisagem da rua. as vezes até gosto quando olham lá para dentro como se o tempo fosse demasiado curto para fazerem uma pausa e beberem um simples galão. apetece-me chamá-las e dizer-lhes para se sentarem comigo,que eu tenho todo o tempo do mundo e que se quiserem,podem falar dos problemas que lhes enchem os dias. mas tenho mesmo todo o tempo do mundo,aprendi a viver assim. e nada me apanha,porque não aposto em nada. só ando,observo,falo quando tenho as palavras certas e mantenho-me eu,a tempo inteiro. levo sempre o meu livro comigo,que leio apenas uma página nos sítios mais calmos,todos os dias. ler é reservar tempo para mim,para sonhar,para viver também. faz-me confusão quando me respondem "não tenho tempo para ler". toda a gente tem tempo para fazer mais do que uma das coisas que gostam,apenas se deixaram acreditar na desculpa de todos. acredito que ler é uma terapia e acredito ainda mais,que se fizesse parte da rotina de meio mundo ler pelo menos 1 página todos os dias,eram mais os sorrisos ao passar na rua. gosto de andar a pé,passar pelas lojas com montras bonitas,de passar pelos jardins,de ouvir o barulho das músicas que aparecem de vários lados,gosto disto. de passear,de não ter pressa. de ser diferente de todos. de me sentir quentinha com o coração no lugar certo. de me pôr em primeiro lugar sem deixar de acreditar nos outros. tenho ainda a minha flor,a minha querida lis. tem os olhos verdes e é pequenina como eu. nunca me desaponta,lê o mesmo livro que eu 1 vez por dia,costuma apanhar-me no café e beber comigo o chá enquanto falamos na nossa viagem. é tão bom tê-la a ela ainda mais nos dias feios,em que me dá um empurrãozinho para nunca me esquecer do quente do meu coração. é tão bom não combinar nada e saber precisamente que há mesma hora,ela vai estar lá numa mesa de duas cadeiras. ela gosta mais da chuva,eu gosto mais do frio e o céu um bocadinho mais aberto. mas não deixo de gostar de passear à chuva enquanto todos parecem desorientados e eu apenas distribuo sorrisos. até já me perguntaram como consigo,mas nem eu sei responder. nem sei se sei ensinar a fazê-lo. mas eu acredito numa coisa-muitas das coisas verdadeiras,raramente se vêem. este é o caso,em que,não recebo sorrisos de volta mas sei que no fim do dia,o meu faz sempre diferença a alguém. sei que se lembram,apesar de não se manifestarem. e só isso basta. só isso. não é viver para os outros, é viver de alma quente,com algumas certezas e sabedorias. certeza que o mundo não somos só nós,e que acabamos por ser recompensados sem nunca termos esperado nada em troca.
29 outubro, 2011
um dó li tá. ás vezes acho que me deixo comparar com as outras coisas. aquelas que não importam. conto-me com elas para ver qual é que começo a dar importância primeiro. é errado não é? eu nem devia fazer parte dessa contagem ou escolha. devia estar sempre no topo,no primeiro lugar. ensinaram-me isso mas eu esqueci tudo. não sei se por conveniência, se ao acaso,mas tenho-me sentido deslocada. estou aqui no parapeito da janela a pensar nisto e talvez até me dê importância ao perder dez minutos a pensar em mim. talvez eu nem me conheça. e há por aí alguém que o faça por mim? aliás,que o queira fazer? sinto-me deslocada e sinto os outros deslocados. sinto que me afasto a cada passo deles. não me entendem,não quero sequer que façam o esforço. sei que se assustam,para quê arriscar? não,o material do meu corpo não é igual ao deles. ás vezes é de porcelana,outra vezes de fita-cola e ainda nos dias estranhos,feito de borras de café. tenho eu histórias para contar a não ser as minhas horas desamparadas feitas de ninguém? já não gosto do som da minha voz. fraca e irritante. sinto que já ninguém a quer ouvir, nem mesmo eu. em que pedestal estou eu? ou melhor,em que pedestal consigo eu estar? o que sei eu aguentar? é tão triste pensar que me deixo andar,sem nada nas mãos,nem dada para agarrar. é tão triste não pensar,ás vezes. mas mesmo que me queira convencer de contrário,sei ainda que não sou feita assim,desta acidez. acordar e não pensar nas coisas que me perturbaram no dia anterior,deitar-me até mesmo com uma lágrima na cara. prefiro isso,a isto. mas prefiro curar-me a mim,do que aos outros. do que ter que contar com os outros. sei que preciso de falar comigo todos os dias,e isso só,ainda me basta. há aí alguém que saiba abanar o meu mundo? que não me trate por comum,com rótulos,só que saiba agir,conforme os instintos. é disso que eu preciso. sem dias de partida. e um segredo? há dias que sinto que há por aí uma ou um igual a mim,no outro lado do mundo ou no outro lado da rua. é nesses dias que me apetece sair a rua,olhar nos olhos e descobrir o que me pertence. dizer-lhe olá e oferecer-lhe um café. olhar para os pormenores e rever-me neles. sei que mesmo que queira,não me consigo esquecer de mim. o tal ninguém faz questão de mo recordar,suavemente,sem grandes precipitações. deixo aqui um bilhete para mim que diz assim- "nem tudo o que é verdadeiramente bonito,se vê. as estrelas? de dia escondem-se envergonhadas e decidem aparecer a noite quando tudo está recolhido. sabem o seu valor e sabem ainda que é de noite que ganham encanto. encontra o teu caminho de volta, que te faça amar cada passada e que te dê brilho por onde passares" dobrei-o e pus em cima da cama. logo à noite vou dizê-lo a cantar. baixinho,só para mim,como quem não quer a coisa.
07 outubro, 2011
crescer e saborear. que boas palavras. palavras que passam na minha cabeça cada vez que acabo de cantar uma canção de amor ou cada vez que cruzo uma esquina em que encontro alguém como eu,sonhador. ou ainda melhor,quando vejo flores sorrateiramente a serem colhidas de jardins alheios. são palavras bonitas não são?quando escrever um livro,quero po-las lá mais do que uma vez. só para relembrar ao mundo do quão sabe bem lê-las ou dizê-las em voz alta. Tenho demasiadas interpretações para cada uma delas,mas no fundo,crescer é sempre crescer. saborear é sempre saborear. ao jeito de cada um,ao jeito de dois a dois. eu gosto quando é a dois. eu gosto daquela linha quase invisível que junta os pensamentos. quando o outro pensa que não pode dizer o que saboreou em voz alta porque parece mal,e no fundo,estão ambos a sentir o mesmo. isso é pertencer. gosto quando tenho a certeza que alguém me pertence e me troca as voltas,para melhor. gosto de saber que ainda há o alguém que saboreia primeiro que eu e me consegue sussurrar ao ouvido a verdade. sem rodeios. que muda o sentido e transforma o nosso crescer em mil vezes mais nosso,para não se dispersar. gosto de empenho,sem obrigação. e por isso talvez goste tanto de dizer "dá sabor a isto". essa frase diz tanto,como eu. há tantas pessoas que pensam que não sabem dar sabores. eu tenho um pequenino truque,escuta bem- adormece um lado da tua cabeça que diz o errado de ti. sabes que quando não acreditamos,é esse o lado que mais brilha. depois,imagina-te a fazer um desenho com aguarelas no teu corpo todo. quais eram os sítios que punhas uma cor mais clara? quais eram os sítios em que desenhavas flores ou estrelas? talvez perto do coração. eu desenhei instintivamente perto da boca. não há outra razão senão,o saborear mais as palavras que vêm de dentro e repetir as que vêm da boca dos outros. agarrei essa ideia e agora já flutua,de cá para lá,quase sozinha. de vez a vez,faço esse desenho. de vez a vez repito "dar sabor faz-me crescer". e eu gosto de ver alguém crescer. de ver alguém aprender a ouvir quem já foi igual. de ver alguém a contar as pessoas que permanecem deste lado em vez de contarem os dias que passam. de ver alguém a fazer planos. de ver alguém a aprender a tirar partido de algo. de ver alguém a não perder tempo. de ver alguém a ver o fio quase invisível-aquele de quando nos pertencem. ohhh,e quando tocamos no fio... fica tudo tão mais calmo como se o amanhã fosse feito de verdades e o agora feito de conquistas de sabor a mel.
26 setembro, 2011
24 setembro, 2011
09 setembro, 2011
para vocês
só queria vir aqui dizer que gosto muito de vocês e que cada vez gosto mais deste cantinho e das pessoas que aqui encontro. são tesourinhos! fiquem sempre por cá,a fazer-me companhia e a deixar-me voar pelos vossos textos. sem dúvida que já aprendi muito convosco e um grande obrigada. daqui deste lado vai um beijinho e uma boa noite
18 agosto, 2011
28 julho, 2011
as palavras,as palavras. vivem para nós,incondicionalmente. e nós somos feitos delas,em todas as circunstâncias.para mim,existe um saco cheio delas. um saco que me descreve. e dele vou retirando uma ou duas palavras de cada vez,aquelas que já não precisam de estar guardadas. foram expostas ao mundo,ao que me rodeia e assim ficarão,para sempre. as que lá ficam,servem para os dias em que acordo sem acreditar em mim. com vazios a preencher as veias em vez do sangue quente e rico. servem para esses dias e é até mais fácil do que parece. Porque elas não estão apenas dentro desse saco cheio,não. estão no ar,nas pessoas,nos lugares. preciso de empurrões para lá chegar mas acabo por descobri-las a todas,uma a uma. Não deixei de ter medo delas. Mas aprendi a controlá-las e a saber digeri-las. Dou importância ás melhores. ás que evoluem,comigo. E eu adoro palavras ricas,que preenchem os dias. A final de contas,devemos-lhes um grande obrigada. na maioria,um obrigada gigante por saberem fazer parte de nós.
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