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03 setembro, 2011

como se desse por mim a esconder-me da vida. como se desse por mim a recolher as mãos e parar o vento. sabes,deste-me manias. uma delas foi começar a contar os fios de cabelo enquanto espero que as horas passam. outra,foi somente desenhar no dedo mindinho uma cara feliz quando me sinto triste. ensinaste-me esse truque e resulta. uns minutos apenas. e aquela mania que mais me agrada e que mais ficou em mim,foi passar suavemente a língua no lábio superior e inferior quando sinto a boca seca e me sinto com sede. tenho muita sede nestes últimos tempos e tu sabes que eu não era nada assim. quando me deito e fico a olhar para o tecto,fico a pensar nisso. arranjo muitas explicações embora sejam ligadas ao coração. não te devia contar porque é segredo. mas,como sei que conheces as minhas palavras,sinto-me quentinha e por isso aqui vai- a minha boca diz demasiado. quando dizem que são os olhos,ora ora,comigo nem lá perto. os meus olhos são frios e descaídos,tu lembras-te. embora eu me sinta menos triste, eles fazem-me sempre parecer um objecto escuro sem nada para dar. e por isso mesmo,eu odeio olhar nos olhos. nunca ninguém reparou que a minha boca traduz o que eles não traduzem. cheia de expressões,cheia de mensagens que ainda não foram abertas. tu abriste algumas, sempre soube disso. mas olha, com isto tudo queria apenas dizer que a minha excessiva sede tem o seu mistério e eu acho,apenas acho,que tu estás incluído nele. não te assustes,calma. eu gosto de desvendar mistérios e assim tenho mais um para me entreter. tenta apenas lembrar-te da minha frase mais dita  cada vez que o nosso beijo terminava ao de leve. conseguiste?- "como se fosse um batido de morango" pois é. era isto. eu gosto muito de morangos e eu ensinei-te a gostar também. assim podia levar um taça grande para a cama e ficávamos a comer os dois,sentados enquanto se fazia tarde. não termina aqui. no outro dia pedi lá ao pé de casa um desses batidos,que sabias que eram os meus preferidos. achei-os desleixados, com pouco sabor como se o tempo estivesse de chuva. acho que percebes o que quero dizer. estou enganada? tu não vieste só,tu ficaste. embora tenhas ido,tu ficaste. e agora reparo mais do que nunca que mudaste os meus hábitos. já não consigo beber um verdadeiro batido de morango sem que me saiba a amargo. aquele que nós fizemos quase todos os dias, esse era o meu preferido meu amor. o melhor dos melhores. o leve. o fresco. o intemporal. mas só para finalizar,quero que retenhas- tenho saudades de quando me matavas a sede apenas com o coração. o teu coração que me levava para todo o lado. agora sou eu que te levo para todo o lado,que sonho nas esquinas barulhentas,que amo cada vez que pego numa das nossas taças. agora era eu que precisava que me mantivesses leve. presa a um beijo,presa ao sabor. 

23 julho, 2011

fugaz

fazes-me mais falta hoje do que me fazias ontem e provavelmente farás mais amanhã do que hoje. e não é falta da pessoa que és. porque tu sabes,nunca me cheguei a ninguém com o coração. só com o corpo e com pequenos pedaços da alma,os pedaços exteriores. faz-me só falta o arrepio na espinha,o teu olhar constante,as palavras sedutoras e os teus gestos impulsivos. sem meias medidas. O mais certo é nunca mais teres chamado por mim. nem sequer teres mencionado o meu nome com o mesmo sorriso escondido e com os pensamentos que divagavam. Tudo isso porque nunca te mostrei mais do que o que quis mostrar e o que mostrei não foi suficiente. Sei que ninguém é igual a mim. Estou habituada a receber igual ao que dou,e contento-me com o pouco. Passou a ser só esses os sentimentos,restritos e auto-suficientes. Tenho medo do que existe para lá. tenho medo do que se segue a seguir ao arrepio,a seguir ás batidas fortes. Tenho medo de me deixar levar. Neste nosso caso,talvez único e exclusivo,eu teria arriscado. se não tivesses apagado o teu rasto,eu teria flutuado sem querer saber. enfeitiçaste-me devagarinho e talvez o devagar seja o que melhor se encaixa em mim. E quando desse conta,já estaria perdida aí algures no meio do campo,deitada e solitária. Penso sempre nos fins dramáticos,penso sempre que sou deitada fora tal como faço a mim mesma e a todos os que tocam no meu coração sem pedir licença. Conheceste-me talvez. E isso deixa-me no estado mais nu e vulnerável que algum dia conheci. Assustaste-te talvez. Não criaste expectativas. olhaste para mim e eu deixei de te fazer sentido. E por isso,prefiro manter-me em segredo. Prefiro quebrar do que ser quebrada. mas prefiro quebrar de mansinho,fugir fugazmente. Nunca ninguém se importa. Nem sei se posso chamar a isto de buraco negro,não sei se posso chamar de viver a sobreviver,não sei se chame de coração pesado de nada. Porque eu sinto um peso,mas nunca o consegui descodificar. Tem que ser nada,se nunca o enchi. mas sinto-o pesado e tem passado para o meu corpo e do meu corpo para o meu olhar,que cada vez é mais fugitivo,caído e vadio. Sinto a tua falta e talvez sinta falta do teu devagar feitiço que aos poucos ia ganhando outras palavras. Foste um intervalo no tempo e nas minhas contínuas horas de tortura. Até ao dia. E hoje sinto-me cansada e pesada mais do que ontem. Talvez tenhas-me chegado mesmo ao coração. E não foi preciso pedires licença,acho que o abri quando conheci o para lá das nuvens,em noites,em feitiços,em desejos eternos.

12 junho, 2011

 Tive saudades do nosso sitio. O nosso sítio que estará sempre marcado pelas nossas impressões,pelos nosso primeiros olhares,pelos nossos toques, pelos nossos ritmos cardíacos, pela minha alma dentro da tua, pelas respirações ofegantes, pelos meus passos a seguir aos teus, pelas luas cheias e amanheceres, pela minha pele transpirada, pelos nossos sorrisos encadeados,pelo teu charme seguido do teu cheiro. Pela minha segurança cada vez que me lembrava que estavas ali. Nunca racionalizei nada que fosse só nosso. Tudo porque vivia como se fosse a ultima vez para tudo. a ultima vez para te puder olhar e tentar tirar o maravilhoso que os teus olhos ofereciam. Ficava vidrada na tua beleza, no teu jeito tão independente e extinto . Nada na minha vida,se comparou aos paraísos que me trouxeste e ás noites cheias de tudo até não puder mais. deste-me tudo e eu nunca pedi nada. Deste-me tudo porque tu eras tudo. Tenho saudades do nosso sítio e de nós a preenchê-lo. Já não passo lá há muito tempo. Nos primeiros dias ainda soube pisar o mesmo chão do mesmo jeito e soube olhar em redor com a mesma graça. Agora acho que deixei de ser capaz. Continuo a saber como o fazia, porque é como andar de bicicleta,nunca se esquece. E desde o momento em que uma paisagem nos conquista, nunca deixa de assim ser. Mas perdi a coragem. Sei que se baixar a cabeça e apenas me lembrar não saio destruída. Nesses mesmos primeiros dias ainda me veio o teu cheiro tão fresco. Como quando o sentia logo pela manhã quando nos encontrávamos lá. Era o cheiro dos meus dias. Já nem sequer me lembrava do meu. O teu estava no mar,no céu, na natureza, dentro das minhas gavetas. estava repleto de sonhos. E cada vez que inspirava fundo, sentia que me tocavas devagarinho para não deixar feridas. Sentia que me tinhas descoberto o coração e mostravas ao mundo para todos verem o quanto o embalavas. Mostraste-me o mundo sem ser um risco. Deixaste que formássemos um. E só depois disso,acreditei nas almas gémeas. As almas gémeas criam mundos, fazem a diferença, vivem paraísos, vivem de tudo, conhecem o impossível e tentam enchê-lo de suaves carícias. Eu estava a tua espera desde sempre, e tu também. Mudaste a minha vida. Mudaste a maneira como olho para dentro de mim e mudaste o meu coração. Sinto saudades de viver do nosso sítio. Sinto saudades de não me importar com a minha vida rotineira e ter as tuas palavras a voarem nos meus ouvidos e a dizer que tudo fica bem,basta olhar para as estrelas. Preciso de ti para me relembrar disso. Preciso da tua paz, das tuas emoções a flor da pele, das tuas aventuras, dos teus gritos de felicidade, da vida a correr-me de cima a baixo,começando pelos pés e acabando nas minhas mãos no teu peito. Quando dizem que a vida é feita de momentos, ninguém mente. Os momentos fazem uma vida. E podemos viver presos de momentos para sempre. Já fizeste valer tudo a pena. Obrigado do fundo do coração por seres um mundo diferente, um mundo onde eu coube durante muito tempo,um mundo com o sabor de vivência e com os pés sempre no ar,sem nunca descer a terra. 

18 abril, 2011

tudo vai

não,o tempo não devia levar as pessoas,nem sequer devia saber fazê-lo. é sempre o tempo o tempo o tempo. já nem se trata da vontade de permanecer,o tempo muda tudo. o tempo e a distância. os dias que pareciam sempre preenchidos por alguém,esse alguém deixa de os preencher. e tudo por causa do tempo. sentimos saudades dos dias preenchidos,mas não há mais nada a fazer. o tempo leva-as e elas deixam-se levar. tal e qual como nós. ficam-se as memórias para remoer e a saudade deixa de fazer sentido. mas não deixa de ser saudade.

22 março, 2011

eu estou onde sempre estive.

aguardo o dia em que me encontres e eu de seguida te toque na mão. aguardo pelo dia em que o destino ainda tenha um lugar nosso. mas e tu? deixaste de me olhar nos olhos desde que começaste a planear o teu ultimo dia. mas o teu ultimo dia nunca foi o meu. e por isso ainda continuo sentada naquele banco cinzento onde deixei de te rever. onde tu te esqueceste de me dar um beijo na testa e dizer adeus. mas acredita,nunca me convenceste. fico aqui como sempre estive e como sei estar.por mais vezes que chegue ao ultimo dia,os primeiros dias foram a nossa eternidade. e é agora a minha eternidade, nestas manhãs sem ti. se soubeste como fugir,também sabes como me encontrar

22 fevereiro, 2011

as vezes fazes com que queira voltar ao passado. fazes mesmo. fazes com que tenha vontade de sentir aquilo que tu eras e voltar a reconheçer. altura em que eras seguro e fiel a ti próprio,um pouco mais corajoso e com estima pela vida. eras outro. ou eu é que não te conheçia suficientemente bem e por tras dessas qualidades todas eras tão inseguro como es agora? mas quando dizem que mudaste,mudaste mesmo,e acho que tens consciencia disso. em parte,foste condicionado pela vida e pelo que se tem sucedido mas tambem proveio de ti,eu sei que sim. proveio dessa tua falta de desinteresse por tudo e custa-me acreditar que tu,o teu desde sempre,te tenha fugido por entre os dedos. acredito que ainda esta bem escondido apenas sobreposses-te os teus medos e as tuas falhas. tenho saudades,saudades,saudades. e talvez esteja a ser injusta,mas tenho saudades. sabias que maior parte da tua ex confiança era transmitida para mim? sabia-me bem ter alguém com certezas. sabia-me bem ouvir experiencias. agora,não passam de memórias que me levaram a gostar tanto de ti. apesar de seres outro,ainda te vejo ou quero acreditar que te vejo confiante.