21 maio, 2012

E aquilo que mais me dói é o partir sem avisar. Sem uma carta dobrada com um beijinho de despedida. Sem o sorriso melhor que os outros. Sem a explicação subentendida. Aquilo que mais magoa é o tempo a pregar rasteiras. O tempo a dar-nos chapadas na cara. O tempo a fingir que nos ouve. o tempo a iludir-nos do regresso. O tempo a pôr camadas de previsões,previsões que são miragens. Aquilo que mais magoa...é o deixar de ser presente. É as conversas vagas sem a rotina que um dia nos disse tão pouco e hoje nos diz o quase tudo. É o passar a pensar a quem as nossas palavras realmente interessam. É o passar a dizer cada vez menos. É o passar a acreditar cada vez menos. É um passado estranho. Um passado que nunca o quis ser. Um passado que dizia frases soltas e que mais tarde ou mais cedo,se deslocaram dos corações mais pequenos. cada vez mais pequenos. É talvez a vergonha. A vergonha da ingenuidade. A vergonha de um dia termos levantado a voz a dizer que importa. A dizer que só nós sabemos. É a vontade de mandar quilos e quilos de palavras à espera do alívio na garganta,à espera do "eu estou aqui". É o silêncio. É a pergunta constante de...será que desisti? É o querer prever. É estas voltas na barriga que me reduzem a tão pouco. Ao  pontinho de luz que quero que ainda se veja. És tu. a fingir que eliminas os problemas e que vives sem preocupações. que vais andando no dia a dia e recusas que o sol se esconda. És tu que deixas de ter percepção. Que deixas de notar a presença constante. A mão que passava todos os dias no ombro. E sou eu, que passo a viver dessa memória e dos esquemas falhados. Que todos os dias não são dias,porque há sempre um reservado ao regresso. 

6 comentários:

cláudia disse...

sabes dizer muito, e dizer muito nas palavras bonitas que escreves, é dizê-lo bem, e fica na alma o que escreves joaninha.
adorei mesmo*

Emmeline disse...

acabei por chorar

Ana Margarida disse...

Está tão bonito. E é mesmo o disseste. Não há coisa pior que partir sem avisar.

Emmeline disse...

e sabes...nunca hei de partir,muito menos de ti.

daniela duarte disse...

escreves tão bem! está lindo, mesmo

mary disse...

sinto-te a falta